À Espera que VolteTeatro de Montemuro

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8

SINOPSE

Era uma vez uma gota de água que vivia à espera do momento de escorregar até à terra. Os seus pais, trovão e nuvem, tinham-lhe ensinado a importância da sua família: Sem as nuvens grávidas de milhares de filhas – as gotas de água – sempre prontas a descer do céu, a terra não sobreviveria… A sua mãe, as suas tias, as suas primas e, um dia também, ela própria, teriam de chorar para dentro da terra para que esta pudesse ter os seus filhos – as crianças, que são os filhos dos homens e das mulheres. Sem o choro das nuvens, a terra não dava frutos, não dava couves-flor, não dava pão nem franguinhos para alimentar as pessoas. Entre a gota de água e as crianças da terra havia, afinal, um laço forte e indissolúvel do qual ninguém ainda lhe tinha falado.Sentiu-se nervosa inesperadamente. Queria descer, escorregar e ver… Ver como tudo funcionava na terra com a ajuda preciosa do que vivia no céu; a sua grande família feita de água – as gotas, as nuvens, os trovões, os ventos e o sol, o avô caloroso do céu. O seu avô tinha o tamanho dos oceanos, era quentíssimo e era temido e amado pela terra e pelas águas salgadas que abraçam o mundo e que são a casa gigante dos peixes, das correntes e dos seres marinhos.Muitas vezes, quando as suas primas e irmãs chegavam a casa em carros feitos de vapor que subiam até ao azul do universo, traziam consigo notícias feias. Os homens não cuidavam da água que descia, não se lembravam da sua importância e muitas vezes esqueciam que, sem água, todos desapareceriam numa tragédia de sede e secura. Assim, pediu ao seu pai trovão para fazer uma tempestade, fingindo que se zangava com os humanos e que, com a ajuda de um relâmpago, a deixasse descer à terra sem ser notada, sem ser vista – qual detetive transparente, para descobrir como era o mundo das crianças e de todos; o mundo das cidades, das vilas, do campo e do mar. A mãe concordou. Beijou-a docemente na sua face fresca de água, deu-lhe os conselhos que as mães dão às filhas quando estas viajam para longe e deixou-a atravessar o som estrondoso que saía da barriga do pai quando este queria zangar-se com a terra. E lá foi, voando, escorregando, descendo até cair… Aqui…

 

Ficha Artística

Texto de Madalena Vitorino e Paulo Duarte
Encenação de Madalena Vitorino
Assistente de Encenação Abel Duarte
Cenografia e Figurinos de Sandra Neves, Costureiras Capuchinhas CRL e Maria do Carmo Félix
Direção Musical e Banda Sonora de Fernando Mota
Cenários e Adereços Carlos Cal e Maria da Conceição Almeida
Interpretação Piotor (Paulo Duarte) a sua Sombra (Maria da Conceição Almeida) e sete pequenos músicos russos
Direcção de Produção e Comunicação Paula Teixeira
Cartaz de Sandra Neves
Agradecimentos Maryana Bardashevska, Camila Correia, Carolina Correia e Frederico Duarte
Vídeo e Fotografia de Lionel Balteiro

Duração 50 mins., Público 6 a 10 anos