Jafumega

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SINOPSE

«Ribeira» (imortalizada pelo refrão «A ponte é uma passagem prá outra margem»), «Latin’ América», «Kasbah» ou «Nó Cego»: estas são apenas algumas das canções com que os Jafumega marcaram o rock português nos anos 80.

E que agora estão de regresso aos palcos com dois concertos em lisboa e porto.

Numa década de grande efervescência para a música feita em Portugal, a banda do Porto conseguiu, no decurso de apenas três álbuns, inscrever o seu nome no cancioneiro nacional, adoptando e fazendo suas influências muito diversas que iam do jazz-rock à pop, ao funk e ao reggae.

A história dos Jafumega começa em 1978 com a reunião de vários músicos do Porto oriundos de alguns dos mais conceituados grupos da altura. Pedro, Mário e Eugénio Barreiros vinham dos Mini-Pop, banda jovem com grande sucesso, José Nogueira tocava há vários anos com António Pinho Vargas em várias formações que se encontravam entre as mais importantes do Jazz em Portugal e Álvaro Marques integrava os Psico, uma banda histórica da área do rock progressivo.

Todos os músicos, ainda que alguns fossem muito jovens, apresentavam uma longa e diversificada experiência assim como grande proficiência técnica e, durante o primeiro ano de vida do grupo dedicaram-se a explorar em conjunto uma enorme diversidade de estilos musicais. Esta forma livre e algo tentacular como os portuenses espraiavam o seu talento por géneros musicais tão distintos seria determinante para moldar o som da banda que formaram há 35 anos, sem paralelo nos grupos da altura.

Até à gravação do primeiro álbum, Estamos Aí, em 1980, os Jafumega recrutam Luís Portugal, singular vocalista, dono de uma voz muito característica e pouco usual. Gravado antes do boom do rock português , Estamos Aí, cantado em Inglês, desperta a atenção de alguma imprensa e oferece à banda a possibilidade de dar concertos pelo país.
Mas é no ano seguinte, em pleno «boom do rock português», que os Jafumega tomam o país de assalto, graças ao êxito «Ribeira», que ocupou o primeiro lugar dos tops durante semanas. Inspirada pela zona ribeirinha do Porto, a canção, editada em 1981 como lado B do single «Dá-me Lume», torna-se um grande sucesso de rádio, permitindo à banda um contrato com a editora multinacional Polygram. Curiosamente, «Ribeira» não chega a ser gravada em álbum.

No primeiro disco para a Polygram, Jafumega, de 1982, constam novos temas de grande impacto, como «Latin’America», «Kasbah» e «Nó Cego». É à boleia deste LP que o grupo, descrito como «coqueluche do Porto» no livro de António A. Duarte, A Arte Eléctrica de Ser Português, participa no Festival de Vilar de Mouros, actuando antes dos U2, então também uma banda-revelação, na sua estreia ao vivo em Portugal.

Em 1983 chegaria Recados, terceiro e último álbum de originais, onde a banda explora a aproximação com o universo da música tradicional portuguesa, e do qual foi retirado o single «La Dolce Vita/Romaria».
Do currículo de palco ficam mais de 300 espectáculos, alguns em grandes recintos como a Festa do Avante perante 100.000 pessoas ou o fecho da Festa do Jornal O Sete no Campo Pequeno ou ainda dois concertos em Paris, no Forum Les Halles, por ocasião de uma mostra da música moderna portuguesa em que participaram também Sérgio Godinho e Jorge Palma, entre outros.
Em 1984 os Jafumega decidiram parar. Para trás ficou uma passagem breve mas intensa pelo pop-rock português, marcada pelo domínio instrumental de todos os músicos, pela intensiva mas discreta utilização das tecnologias mais avançadas, pela produção sofisticada ( Mário Barreiros e José Nogueira), pelas letras de Carlos Tê e José Soares Martins, muito importantes para a definição do universo da banda e pela capacidade de absorver as referências nacionais e internacionais e devolvê-las, tocadas pelo ar dos tempos, ao fervilhante e irrepetível cenário do rock português dos anos 80.

Jafumega – Discografia Selecionada
Estamos Aí (LP, 1980)
Dá-me Lume/Ribeira (single, 1981)
Jafumega (LP, 1982)
Latin’América/Nó Cego (single, 1982)
Recados (LP, 1983)
La Dolce Vita/Romaria (single, 1983)
Jafumega (compilação, 1990)

 

Ficha Artística

os Jafumega são:
Luís Portugal (voz)
Mário Barreiros (guitarra)
José Nogueira (saxofone, teclados)
Eugénio Barreiros (voz, teclados)
Pedro Barreiros (baixo)
Álvaro Marques (bateria)

Duração 90 mins., Público M/6